A sua empresa ainda está na era do Departamento Pessoal?

Analiso a evolução das pessoas dentro da organização. Da Revolução Industrial até os dias de hoje

Juliano de Castro

Departamento Pessoal, Recursos Humanos ou Gestão de Pessoas. São as mesmas funções dentro da empresa? Não e iremos explicar o porquê.

O Departamento Pessoal surgir após a Revolução Industrial – século XIX até meados da década de 50 do século passado. Essa departamentalização concebida por Henri Fayol – um dos estudiosos da Administração determinava que o homem exercesse um papel dentro da empresa de subordinado, dentro de uma estrutura rígida e incompreensível. A palavra treinamento era chamada de adestramento funcional. A função do DP era realizar somente a parte burocrática da empresa fazendo as admissões, demissões, advertências, frequência, folhas de pagamento e outras atividades inerentes ao departamento. O funcionário ficava totalmente alheio ao que passava na empresa. Foi nessa época que surgiu a expressão “mão de obra”, pois o trabalhador era apenas um operário que deveria executar as suas tarefas que seu chefe lhe determinava. O foco era no comando e na total subserviência do trabalhador. Suas ações baseavam-se nas estratégias militares.

Evoluindo para o Recursos Humanos, entre a década de 50 até a década de 90, as empresas aumentaram a importância do RH, igualmente com os recursos financeiros, material e físico. A partir deste momento que surgem as especializações dentro do Recursos Humanos como: o recrutamento, a seleção, o treinamento e a política de remunerações.

A partir da década de 90, com a globalização da economia e a evolução das comunicações à importância do RH foi perdendo força para uma nova realidade: a Gestão de Pessoas.
Hoje, as empresas não possuem mais mão de obra, e sim cérebro de obra. Este século vai ser marcado pela Era do Conhecimento e da Informação. As pessoas precisaram ser mais capacitadas para oferecer um serviço com maior qualidade e confiabilidade ao empresariado. A necessidade que existia de tratar as pessoas como “recursos” comparando-as a bens materiais estão sendo substituída por um tratamento mais humano, democrático e leal.

As empresas estão “acordando” para essa nova maneira de administrar seu maior capital: os colaboradores. Pois, hoje em dia chamamos os nossos funcionários de parceiros, associados e colaboradores, menos de empregados. Essa nova visão de gestão de pessoas leva-os ao centro das decisões empresarias. Antigamente ficavam longe do eixo estratégico empresarial. Agora, as empresas que queiram se diferenciar perante o seu público e aliar uma imagem de empresa inteligente e admirada terá que quebrar paradigmas sobre o seu capital humano.

O que alguns empresários ainda não conseguiram enxergar é que vivemos em um mundo onde o jovem talento – denominado de geração Y ou Z – que nasceram já convivendo com essas novas tecnologias não querem ser dirigidos ou mandados. Eles têm a necessidade de participar das decisões, de ter voz ativa e de ser reconhecido pelas empresas e pelo mercado. E fazer política de gestão de pessoas com esses jovens não é uma tarefa nada fácil. É uma geração inquieta e ávida por novas tecnologias e inovação. Empresas que ficarem inertes não conseguiram atrair esse capital humano.

Situações como medo do desemprego, subordinação, salário fixo e chefes estão ficando para trás. As empresas precisam de líderes que saibam trabalhar com esses novos “cérebros de obra”. É saber delegar funções e tarefas, é saber cobrar sem ser chato, é ser amigo e conselheiro do seu parceiro. É respeitá-lo em sua individualidade. E principalmente: exercer o controle emocional. O líder é líder porque sabe ser imparcial, discreto e participativo. Não tem vaidades e valoriza o trabalho em equipe. Conjuga o nós! O que falta aos nossos gestores é essa visão global sobre as tendências que o mundo corporativo anda atravessando.

Fazer Gestão de Pessoas é muito mais do que ficar controlando entrada e saída de funcionários. É pensar o seu capital humano como o mais importante da empresa. É tratá-lo com cordialidade, respeito e importância. Poder tomar as decisões da empresa de forma colegiada. O que adianta os donos da empresa estarem felizes se os seus funcionários não têm motivo para alegrar-se. Treinamentos e Palestras Motivacionais só funcionam quando a empresa adota o discurso empregado.

Existem empresas que oferecem participações acionárias aos seus colaboradores, como forma de comprometê-los a alcançar os objetivos da organização. Como dissemos anteriormente, a empresa que queira prolongar sua existência, mais cedo ou mais tarde terá que adotar essa nova visão e principalmente incorporá-la no seu discurso e nas suas atividades.

Mesmo com todo avanço da tecnologia o homem nunca será dominado pela máquina. Ele terá que ser mais capacitado, inovador e inteligente e para atrair esse talento às empresas precisarão adotar métodos que podem afrontar sua cultura, mas que será necessária até para sua própria sobrevivência.

Fonte: Administradores.com.br
Link: http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/a-sua-empresa-ainda-esta-na-era-do-departamento-pessoal/76374/